domingo, 29 de maio de 2011

terça-feira, 12 de outubro de 2010

um copo com rum melhora qualquer corpo ruim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os olhos cansados de uma busca indeterminada, por algo utópico; o alívio ‘visual’ para todas as preocupações atuais, passadas, futuras; paranóias, desavenças, mal-humor, saudade do que já nem se lembra.

Havia antes da descoberta dessa, alguma outra que amenizava com o tempo, e inclusive temporariamente, parte da dor e de tais pesares. Todavia, nada como esta, que aparenta confortar tudo imediatamente, dar alívio imediato para o ‘excesso de vazio’. Olhar para tal é inevitável, como sentir vontade de tocar a fim de constatar a veracidade de tal visão tão bela. Talvez eu deva perguntar seu nome(?).

sábado, 24 de janeiro de 2009

Se equilibra sobre as pernas trêmulas. O coração não mais agüenta. Apoia-se nas cordas, enquanto o amigo finge ser se oponente, caído. Todos gritam, sim, gritam. Não gritos de ódio, de escárnio, mas gritos de amor. Sim, o público é tudo o que lhe restou. Sua família, que o ama a cada vez que mostra seu sangue. É seu fim, mas também seu recomeço. Escala as cordas, elásticas. Suas pernas tremem, tentando equilibrar-se. Medo, ânsia, dor. Não encontra mais a amiga. É a hora, vem o fatídico e mortal pulo. Pula.

Uma singela homenagem (e infelizmente não muito boa) a Mickey Rourke e Daren Aronofsky. Espero que Mickey, após o fatídico salto literalmente mortal, continue a dar muitos outros saltos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Uma inexistência.

Silêncio. Silêncio é o que se ouve. Sozinho, totalmente sozinho. A família decompõe-se na sala, em um sorriso de morte. Os olhos do pai são vermes. O nariz da irmã é uma fenda. O amigo está morto, a amiga está morta. É tudo silêncio. Sozinho, sozinha. Não faz mais diferença ser ele ou ela, não quando se é um só, não havendo mais eles ou elas. Sozinha. No silêncio se ouve o Réquiem da humanidade: o pássaro que grita, o cão que implora ao dono decomposto que o alimente, antes que tenha o mesmo destino deste. O céu é azul, vibrantemente azul. O mundo parece feliz ao ver a decomposição da espécie humana. Sim, da espécie, afinal, um só ser não constitui mais uma espécie. Um ser, sozinho, à mercê do que restou. À mercê do odor putrefato que toma o mundo, à mercê da fome dos animais, à mercê dos pobres vírus, bactérias, protozoários, que terminam de devorar seus últimos hospedeiros e preparam-se para sua própria extinção. Hei mesmo de estar sozinha? Sete dias sem fumaça, sem buzinas, sem vozes. Sete... tão primo quanto o número de sobrevividos. O sol torra o bêbado à calçada, o cheiro de carne assada espalha-se pelas redondezas do boteco. Os urubus terminam seu almoço: uma pilha de uma família, no meio do mato, sobre uma toalha. Cesta, frutas podres, pães embolorados. Um pique-nique aviário. O odor morto, pode, metanóico, escuro, nojento, causa náuseas. Hei de tornar-me acostumada, será constante até o fim de todos. Fim de todos... estarei vivo até o fim de todos? Será o fim de todos o meu fim? Esperarei meu fim? No escuro da noite ouço sons, sons que não identifico. Sete dias de breu. Choro. Sim, choro, na esperança que mão seja a última, na esperança de que ainda haja alguém no mundo. Um alguém que, ao não existir, sempre esteja presente, comigo, que jamais me deixe sozinha. Petética. Sim, sou patético. Lágrimas de nada servem aos que existem, quanto mais aos que não existem. Um redemoinho. O diabo, na rua, no meio de redemunho. O céu claro. O redemunho. O verde vibrante, alegre, das árvores. A grama vívida nas praças, agora livres do pisoteamento. As ruas limpas, todos a decompor-se em suas próprias casas. Um eterno domingo. Qual o sentido de se viver sozinha senão viver? Sou dona do mundo. Não, não sou, pois não há quem não seja. Sou e não sou dono. Não existe mais a posse. A humanidade, enfim, conseguiu atingir a igualdade: seu fim. Todos iguais, sozinhos, sozinhas, sós. Todos com tudo, todos sem nada. O mundo é do mundo. E eu, sozinho. Todos juntos, mortos. E eu, novamente sozinho. Sozinha a vida toda.

Marina.

Marina, sim, Marina, onde está Marina? Se agarrando com o outro, tenho certeza. Se não se agarrando, pensando no outro, fazendo coisa com o outro. Rindo com a amiga. É do que escrevi, sim, é do que escrevi. Olha e ri, olha e ri, olha e ri, um risozinho dissimulado. Escrevi, com muita dor, com olhos molhados. E ela ri. Não ri porque é alegre, não senhor. Ri porque despreza, ri porque não gosta. Ri porque assim me ridiculariza ali. Prefere o outro, que tem carro, que pode comprar, que nunca muda, que é sempre o mesmo idiota. Me chama de louco, me diz que invento coisas, que não mato o passado. Como matar o passado se o passado é como o presente? Não falo mais com Marina, odeio Marina, fico contrariado por ter que falar com Marina. Mas aí Marina vem, às vezes com jeito doce, e gosto de Marina, amo Marina, quero Marina. Quero não querer Marina, nunca mais Marina, sumir Marina, sumir galinhas que cercam Marina, que cacarejam ao redor de Marina e que galinhizam Marina.
Marina não é prazer. Marina é dor, Marina é amor à dor, ao desprazer, à tortura. Marina já não é mais a Marina. Ou é o fim de Marina, ou Marina é o fim.