quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Marina.

Marina, sim, Marina, onde está Marina? Se agarrando com o outro, tenho certeza. Se não se agarrando, pensando no outro, fazendo coisa com o outro. Rindo com a amiga. É do que escrevi, sim, é do que escrevi. Olha e ri, olha e ri, olha e ri, um risozinho dissimulado. Escrevi, com muita dor, com olhos molhados. E ela ri. Não ri porque é alegre, não senhor. Ri porque despreza, ri porque não gosta. Ri porque assim me ridiculariza ali. Prefere o outro, que tem carro, que pode comprar, que nunca muda, que é sempre o mesmo idiota. Me chama de louco, me diz que invento coisas, que não mato o passado. Como matar o passado se o passado é como o presente? Não falo mais com Marina, odeio Marina, fico contrariado por ter que falar com Marina. Mas aí Marina vem, às vezes com jeito doce, e gosto de Marina, amo Marina, quero Marina. Quero não querer Marina, nunca mais Marina, sumir Marina, sumir galinhas que cercam Marina, que cacarejam ao redor de Marina e que galinhizam Marina.
Marina não é prazer. Marina é dor, Marina é amor à dor, ao desprazer, à tortura. Marina já não é mais a Marina. Ou é o fim de Marina, ou Marina é o fim.

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